T

Prezados associados,

Estamos publicando mais um artigo comentado do projeto Journal Club ABRASSIM 2021.

Hoje contamos com a participação do Dr. Raphael Ranieri.

Raphael é Doutor em Enfermagem pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFRN (2018), com período sanduíche na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra e na Health Sciences Research Unit: Nursing. Professor Adjunto do Curso de Medicina da Escola Multicampi de Ciências Médicas do Rio Grande do Norte/Universidade Federal do Rio Grande do Norte (EMCM/UFRN). Colaborador do Laboratório de Habilidades Clínicas e Simulação da EMCM. 

Ao fazer o login na área dos associados, vocês encontrarão na íntegra o artigo "Eficácia da simulação no ensino de imunização em enfermagem: ensaio clínico randomizado" escolhido pelo Dr. Ranieri. O arquivo está salvo com o nome "Costa_2020".

Após fazer a leitura do artigo original e do artigo comentado pelo Dr. Ranieri (disponível abaixo), acesso o link https://bit.ly/3gJBAcX e deixe seu comentário ou questionamento sobre algum ponto do artigo que você queira debater. Iremos inserir os comentários recebidos aqui na página com as respostas do Dr. Ranieri. PARTICIPE!!!!

Boa leitura!!

 

 

Eficácia da simulação no ensino de imunização em enfermagem: ensaio clínico randomizado

Raphael Raniere de Oliveira Costa

Professor Adjunto da Escola Multicampi de Ciências Médicas do Rio Grande do Norte

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

 

A escolha do artigo de Raphael Raniere e colaboradores (Rev. Latino-Am. Enfermagem. 2020;28:e3305) para esta edição do Jornal Club foi motivada pelas seguintes razões: por ser um estudo que envolve a simulação clínica e o ensino de Enfermagem no contexto da Atenção Primária a Saúde e por ser um estudo eficácia que comparou diferentes formas de ensinar e aprender (método ativo versus estratégia tradicional de ensino e aprendizagem).

O objetivo do estudo foi avaliar a eficácia da simulação clínica no desempenho cognitivo de estudantes de enfermagem em cenários de imunização de adultos no contexto da Atenção Primária a Saúde. Os pesquisadores alocaram, em dois grupos, estudantes de enfermagem e realizaram intervenções educativas com diferentes métodos/estratégias de ensino e aprendizagem, incluindo a simulação clínica no grupo experimental. Foram aplicados e analisados testes de desempenho cognitivo em diferentes momentos da formação. O experimento mostrou que, com a simulação, os estudantes aprendem mais e esse conhecimento é mais duradouro em relação as estratégias de ensino mais tradicionais.

Sabe-se que os estudos que envolvem simulação no ensino de tópicos de Atenção Primária a Saúde (APS) e ou ensino de Enfermagem em Saúde Coletiva ainda são bem incipientes na literatura nacional e internacional. Majoritariamente, pesquisas nas áreas clínicas e nas abordagens de urgências e emergências tem sido conduzida e amplamente divulgadas nos meios científico e acadêmico. Com isso, chamo atenção para as particularidades do artigo escolhido, uma vez que, no contexto da APS, o leque de competências e habilidades desenvolvidas apresentam atributos mais próximos das habilidades não técnicas e de gerência, o que requer um olhar mais atento e desafiador para as etapas de planejamento, execução e avaliação em simulação clínica. 

Por outro lado, urge a necessidade de se reinventar e apostar em diferentes métodos, formas de ensinar e aprender. Diversas escolas que ofertam cursos da área da saúde têm apostado e investido no uso de Metodologias Ativas (MA) e na simulação clínica. Entretanto, esse investimento precisa ser monitorado, no sentido de identificar potencialidades e fragilidades de cada método e suas experiências compartilhadas. Sabe-se que, sozinha, a simulação não consegue dar conta de todos os objetivos, competências e habilidades. Além disso, a pesquisa em simulação clínica exige experiência, expertise e bom senso.

Como mensurar e afirmar que estratégia X é mais eficaz que a estratégia Y para trabalhar e desenvolver diferentes competências e habilidades? Essa pergunta é bastante desafiadora e requer o entendimento de teorias da aprendizagem, o conhecimento sobre variáveis que podem influenciar o desfecho (o aprendizado), métodos de pesquisa e suas finalidades, entre outras. Portanto, pesquisas em simulação clínica – com objetivos de avaliar desempenho cognitivo - requer do pesquisador um olhar sobre essas diversas interfaces. Ora, se um estudante, na hora da intervenção, estiver com fome, por exemplo, muito provavelmente não terá concentração o suficiente para realizar, da melhor forma, o teste em aplicação. Por outro lado, um estudante mais cinestésico, alocado no grupo que vivenciará uma sessão de simulação, sem fome, provavelmente, aproveitará da melhor forma a experiência ofertada e, teoricamente, poderá ter scores superiores aos demais. Estes exemplos clarificam algumas destas diversas interfaces do tema em discussão. Portanto, é preciso ter clareza de que, muitas vezes, não conseguiremos controlar todas as variáveis que envolve questões particulares e do coletivo. 

Feita essas considerações, ficam as seguintes questões: Quais são os desafios da pesquisa em simulação clínica? Como controlar variáveis que podem influenciar no desfecho aprendizado? Como mensurar desempenho cognitivo e interpretar seus resultados? É possível afirmar que as metodologias ativas de ensino e aprendizagem são mais eficazes, do ponto de vista do desempenho cognitivo, quando comparadas as estratégias mais tradicionais de ensino? Refletir sobre essas questões nos auxiliará a ampliar nosso entendimento sobre a pesquisa em simulação e, certamente, clarificar nossa compreensão sobre o fenômeno em tela.

 

Cron Job Iniciado