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Prezados associados,

Aqui vocês encontram o artigo comentado do mês de maio do projeto Journal Club ABRASSIM 2021.

Hoje contamos com a participação do Dra. Danielle Carvalho.

Danielle é farmacêutica, Mestre e Doutora em Biotecnologia pela Universidade Estadual do Amazonas-UEA e Universidade Federal do Amazonas-UFAM, respectivamente. Atualmente é Pós doutoranda na Faculdade de Ciências Médicas/FCM da UNICAMP, desenvolvendo projetos relacionados com a metodologia de simulação e Membro da Diretoria da ABRASSIM.

Ao fazer o login na área dos associados, vocês encontrarão na íntegra o artigo "Writing a Simulation Scenario: A Step-By-Step Guide" escolhido pela Dra. Danielle. O arquivo está salvo com o nome "Bambini_2016".

Após fazer a leitura do artigo original e do artigo comentado pela Dra. Danielle (disponível abaixo), acesso o link https://bit.ly/3uiUSt7 e deixe seu comentário ou questionamento sobre algum ponto do artigo que você queira debater. Iremos inserir os comentários recebidos aqui na página com as respostas do Dra. Danielle. PARTICIPE!!!!

Boa leitura!!

 

Elaborando um cenário de simulação – o que é essencial?

 Danielle Rachel dos Santos Carvalho

Pesquisadora de Pós-Doutorado no Programa de Pesquisador de Pós-Doutorado (PPPD) na Faculdade de Ciências Médicas/FCM na UNICAMP, desenvolvendo projetos relacionados com a metodologia de simulação.

 

Para a edição do mês de maio do Journal Club da Abrassim foi escolhido o artigo “Writing a Simulation Scenario: A Step-By-Step Guide” de Deborah Bambini (Advanced Critical Care, 2016; 27(1), pp. 62-70). A escolha deste artigo foi motivada por duas razões principais: a primeira delas é relativa às dúvidas que os facilitadores que trabalham com simulação têm com relação ao planejamento e elaboração de roteiros de cenário de simulação; e a segunda é devido ao tema da live do mês de junho do evento SIM Lives ABRASSIM 2021 que é “Como elaborar roteiro de cenário de simulação”.

O objetivo do artigo escolhido foi descrever um processo, passo a passo, que pode ser usado para escrever/elaborar cenários simples ou complexos que atendam às necessidades dos estudantes. É importante destacar que a autora enfatiza que o termo simulação usado neste artigo se refere à simulação de alta fidelidade, ou seja, um retrato realista de uma situação clínica que exige que o estudante avalie um paciente, responda à situação, tome às decisões necessárias e avalie os resultados.

Sabe-se que os cenários de simulação são um exemplo de metodologia ativa que permite aos participantes vivenciarem situações autênticas, em um ambiente controlado e seguro, explorando três importantes componentes na formação do profissional: cognitivo, psicomotor e afetivo.  Por isso, para assegurar que os cenários de simulação que elaboramos garantam uma experiência de sucesso e eficaz aos participantes é necessário um planejamento cuidadoso, conhecimento dos princípios educacionais e das melhores práticas em simulação e prática clínica.

Ao se aventurar na elaboração de um cenário tenha em mente que o planejamento deve e pode ser realizado em etapas. De acordo com autora Bambini existem algumas dicas simples que você pode seguir, começando pelo passo 1, que é identificar o(s) resultado(s) geral(is) desejado(s) para os estudantes. Neste caso, os resultados se referem ao conhecimento e comportamentos que desejamos ver nos estudantes como resultado de sua participação na simulação. O passo 2 diz respeito a determinar o contexto do cenário de simulação. Quando falamos em contexto, nos referimos a pensar e incluir no roteiro qual é o ambiente físico em que o cenário irá acontecer, quais equipamentos e recursos serão necessários, qual será o tipo de paciente e qual será sua história. O contexto deve sempre ser pensado considerando o nível dos participantes, refletindo o que é realista e alcançável para eles, naquele momento. Já o passo 3 refere-se a escrita dos objetivos geral e específicos do cenário, que representam o que você espera que o estudante seja capaz de fazer no final da simulação. A autora nos lembra bem que os objetivos de ordem superior que refletem as dimensões de aplicação, análise e avaliação são os ideais quando elaboramos cenários de simulação.

Após cumprir estas etapas, o passo 4 diz respeito ao fluxo do cenário, que pode ser dividido em 3 fases: 1) na fase inicial, é importante estar descrito o que estudante encontrará ao entrar na sala de simulação, descrevendo o ambiente físico, incluindo quem e quantas pessoas estarão na cena (profissionais/estudantes, paciente, familiares, outros). No caso do paciente, deixe claro os parâmetros iniciais do mesmo, incluindo falas e comentários específicos que apoiem ​​os objetivos da simulação. Também escreva os comandos para o estudante, ou seja, deixe claro o que se espera dele ao iniciar o cenário; 2) a fase intermediária fornece o principal desafio para a sua simulação, uma vez que é quando você deve descrever uma mudança ou descoberta que deve levar a uma resposta do estudante. É importante estar claro no roteiro comportamentos, falas e/ou parâmetros do paciente e/ou demais envolvidos na cena, sejam atores ou manequins; 3) a fase final requer que você escreva uma variedade de ações e /ou combinações de ações que o estudante pode realizar durante a fase intermediária do cenário. É sempre importante colocar no roteiro o final “correto”, considerando que o estudante executará todas as ações corretas durante a cena. Escreva também finais alternativos, plano B, C e se possível o D, uma vez que os estudantes nem sempre são previsíveis. Aqui também é importante estar claro no roteiro comportamentos, falas e/ou parâmetros do paciente e/ou demais envolvidos na cena, sejam atores ou manequins para que o cenário tenha um fim adequado e realista.

Ao finalizar estes passos, leia tudo novamente, começando do início para garantir que todos os detalhes estão presentes no roteiro, de modo a garantir o realismo necessário para o sucesso da atividade. Outra questão importante a se considerar quando estamos elaborando um cenário de simulação é o debriefing. É importante já ter no roteiro perguntas pré-programadas que estão de acordo com os objetivos do cenário elaborado. Mas lembre-se, os eventos que aparecem durante o cenário e as respostas dos estudantes a esses eventos fornecem a oportunidade de incluir novas perguntas no debriefing.

Após ler os passos propostos pela autora, você se sente preparado para escrever um cenário? Independente se você disse sim ou não, vou propor aqui um rápido resumo para ajudá-lo a recuperar todas as informações que você acabou de ler: desenhe objetivos claros, alcançáveis e compatíveis com o nível de seus estudantes; faça uma descrição detalhada da situação profissional que será simulada; inclua informações sobre os materiais, os equipamentos e as pessoas (atores, profissionais e estudantes) que serão necessários; desenhe o fluxo de ações e consequências possíveis de acontecer durante a cena, com o máximo de detalhes possível, a fim de garantir que tudo ocorra de maneira fluida; e por fim, planeje as perguntas do seu debriefing.

Feitas essas considerações, eu gostaria de propor as seguintes questões para a sua reflexão: Quais são os desafios que encontramos ao elaborar um roteiro de cenário de simulação? Existe um formato mais adequado para escrever um cenário, de modo que as ações fluam em uma sequência realista? Usar situações reais, que você já vivenciou em sua vida profissional, ajuda na hora de criar um cenário mais realista? Ter diretrizes como essas apresentadas por Deborah Bambini, no artigo escolhido, facilitam a criação de um cenário? E por fim, uma pergunta que acredito que todos nós que trabalhamos com simulação devemos nos fazer ao finalizar a escrita de um roteiro, esse cenário já está adequado para ser aplicado com a turma ou precisamos realizar um piloto, para identificar possíveis ajustes?

 

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